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08.04.2019 - 148 clique(s)
Como Kiko Freitas foi eleito um dos maiores bateristas do mundo por revista americana
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Durante a adolescência, nos anos 1980, Kiko Freitas costumava vasculhar um sebo no Mercado Público de Porto Alegre em busca de algum exemplar surrado da revista americana Modern Drummer, especializada em bateria. De aprendiz dedicado a monstro das baquetas, o porto-alegrense foi eleito neste ano o melhor baterista na categoria world music na tradicional enquete realizada anualmente, desde 1979, entre os leitores da edição americana da publicação. Ele está bem acompanhado por Dave Grohl (que entrou para o Hall da Fama), Jack DeJohnette (na categoria jazz clássico) e Gavin Harrison, do King Crimson(progressivo), entre outros.

Formado na cena da música instrumental gaúcha, Kiko ganhou o Brasil tocando com João Bosco, em uma parceria que completa 20 anos exatamente nesta terça (19), e depois o mundo. Já dividiu os holofotes com gente do calibre de Michel Legrand, John Patitucci e Gonzalo Rubalcaba. Com seu estilo único de digerir tradições, Kiko é hoje uma referência internacional. A convite da editora Hudson Music, finaliza um livro técnico com sua visão sobre a bateria que será publicado primeiramente nos Estados Unidos. Mesmo sem ter titulação acadêmica, orientará uma dissertação de mestrado na Hochschule für Musik und Theater, em Hamburgo. E em 12 de abril será o convidado especial de um concerto ao lado da Orquestra Jazz de Matosinhos, em Portugal.

Dividindo seu lar entre um apartamento em Porto Alegre e outro alugado no Rio, Kiko tem raízes firmes. Os gaúchos poderão conferir seu talento em um show com Marcelo Corsettihoje, em Santa Rosa, e amanhã, em Porto Alegre (veja quadro ao final). Sua identidade artística ele considera uma "colcha de retalhos" de todas as referências que absorveu em 32 anos de carreira, incluindo as lições de mestres como o baixista Nico Assumpção (1954-2001), seu elo com João Bosco. Influenciado por bambas da bateria como Elvin Jones, Buddy Rich, Colin Bailey, Wilson das Neves, Dave Weckl e Vinnie Colaiuta, como citou à Modern Drummer, Kiko tem uma gama de interesses que incluem o poeta Walt Whitman, o pintor Frans Hals e o pesquisador da mitologia Joseph Campbell.

– Certa vez, Picasso disse que, quando criança, sabia pintar como os grandes mestres, mas levou um vida inteira para pintar como uma criança. Construiu toda uma técnica para depois desconstruí-la e chegou a uma estética própria. É nisso que me inspiro – diz o músico, que completará 50 anos em agosto.

Dotado de uma técnica impecável, Kiko tem o princípio inegociável de colocar o virtuosismo sempre a serviço da música. Mas quem assiste a um solo seu jamais sai indiferente. Geralmente, começa com uma variação sobre um ritmo envolvida em um crescendo de complexidade que deságua finalmente em uma explosão de batidas improváveis. No que ele pensa quando está solando?

– Pensar eu não penso muito – explica. – Sinto certas células rítmicas que quero expressar. Às vezes, não sai nada do que estou esperando e vem outra ideia. É muito intuitivo, mas vai ficando mais consciente com o tempo.

Filho do regionalista Telmo de Lima Freitas, Kiko vem de uma família de artistas. A mãe, uma influência menos conhecida de seu público, é a poeta Beatriz de Castro, hoje com 88 anos. O afeto por ela, que foi cantora amadora especializada em repertório sul-americano, é um dos motivos que o mantém baseado no Brasil, tendo recusado convites para morar fora. Sem problema. Kiko Freitas é hoje um dos raros profetas em sua própria terra.

 
 
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