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25.01.2019 - 122 clique(s)
Quaisquer substâncias tóxicas na adolescência têm efeitos para a vida toda, afirma especialista
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De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), a ingestão de substâncias nocivas entre os adolescentes e adultos jovens é um desafio crescente na maioria dos países em todos os continentes. E no Brasil não é diferente. A promoção sistêmica de hábitos saudáveis na adolescência é imprescindível para a prevenção de doenças na idade adulta, bem como para as gerações futuras. Os efeitos nocivos do álcool, de outras drogas e anabolizantes esteroides exigem estratégias para lidar com essa situação tão presente na atualidade.

No organismo masculino em desenvolvimento, dos jovens de 11 a 16 anos, os problemas relacionados com a utilização dessas substâncias são inúmeros. O professor Jorge Hallak, urologista da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) e coordenador do Grupo de Estudos de Saúde Masculina do Instituto de Estudos Avançados (IEA) da Universidade, aponta que os adolescentes brasileiros consomem mais álcool do que a média dos adultos e que os efeitos desse consumo têm consequências para a vida toda. “Tanto o cérebro quanto os órgãos sexuais estão em desenvolvimento neste momento. O que a gente percebe é que a utilização de qualquer substância tóxica nesta idade tem efeitos para a vida toda. E, muitas vezes, esses efeitos são imperceptíveis durante décadas. Porém, existe uma associação muito grande em, por exemplo, consumo de álcool e diabete no adulto, hipertensão no adulto, a falta de produção de hormônio e casos de depressão.”

E vale lembrar que aquela “bebidinha de final de semana” também é prejudicial, quando exagerada. Em muitos casos, segundo o doutor Hallak, os adolescentes bebem doses exorbitantes nos dois dias que equivalem ao mesmo risco de doses frequentes no cotidiano. “Ele vai fazer um esquenta, ele vai a uma balada e nesses dias bebe uma quantidade absurda. Têm pacientes que chegam a consumir 20 doses de gimvodkawhisky — fora a cerveja — por final de semana. Essa pancada aguda tem efeitos deletérios a longo prazo.”

Mas o problema não se limita somente às bebidas alcoólicas nessa faixa etária. Existe uma forte preocupação com o consumo da maconha por conta das substâncias psicoativas presentes. “A maconha que se consome hoje não é a maconha de antigamente. Hoje, a parte que causa dependência vai de 9% a 17%, ela tem mais THC por grama de planta. Acontece que a associação de álcool com a maconha potencializa um ao outro para o lado ruim. No nosso entendimento como pesquisador, ela tem efeito no sistema nervosos central, como a esquizofrenia e a depressão.” E nos casos de uso de anabolizantes, os efeitos são diferentes daqueles produzidos biologicamente com a produção de testosterona. Quando introduzida no organismo de forma externa, o corpo começa a detectar que já existe muita testosterona e para de enviar estímulos de produção do hormônio aos testículos. Os problemas, então, surgem. “O indivíduo está ficando ´fortinho´, mas está tendo um mecanismo de perda de função testicular e, com isso, há uma perda de volume no testículo, ele perde tamanho”, explica o urologista.

Fonte: Jornal da USP
Foto: Reprodução/Internet

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