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18.11.2019 - 90 clique(s)
1º homem trans a desfilar na SPFW é brasileiro: pediu respeito
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Sam Porto, um jovem de 25 anos de Brasília, foi o primeiro homem trans a desfilar na São Paulo Fashion Week – SPFW – no mês passado na capital paulista.

Sensação na passarela, ele desfilou para nove marcas. Ao se apresentar para uma delas, a brasileira Cavalera, o modelo fez um protesto e escreveu “respeito trans” na barriga e se ajoelhou para os fotógrafos.

Os cliques ganharam o mundo e Sam deu entrevistas para a imprensa do Brasil e do exterior.

“Eu só me entreguei, ninguém sabia o que eu ia fazer ao certo. Me deram liberdade. A sensação que eu tive no momento foi de implorar por respeito, por isso me ajoelhei. As pessoas precisam entender o peso dos índices de morte de pessoas transexuais no Brasil. O que fiz foi pedir o mínimo”, disse ao G1.

O passado

Antes de ser Sam Porto, o modelo festejado enfrentou desafio de assumir a condição de trans.

Primeiro, ainda na adolescência, se assumiu como lésbica. “Depois que eu comecei a me entender e me conhecer melhor, eu vi que não tinha nada a ver eu ser uma mulher lésbica. Eu sou uma pessoa trans.”

Quando fez 17 anos ele contou para os pais. A família ainda tem dificuldade em chamá-lo pelo nome masculino, mas respeita o filho.

Esse respeito, que ele chama de “privilégio” ajudou o modelo a seguir adiante.

De tatuador a modelo

Em Brasília, Sam Porto trabalhava como tatuador.

Em 2017, decidiu “se arriscar” no Brasília Trends Fashion – um evento que reúne moda, design, arquitetura e fotografia na capital.

Depois disso passou a receber convites de fotógrafos para fazer editoriais.

Até que, em junho deste ano, foi chamado para trabalhar na SPFW, mas fez um pedido: só aceitaria se pudesse ser ele mesmo, “respeitado como uma pessoa trans.”

A equipe topou e há dois meses, Sam largou tudo para se jogar no mundo da moda.

Ele trocou Brasília por São Paulo, onde pretende investir na carreira.

Para ele, seu principal papel é representar os homens trans no mundo da moda.

Preconceito

Ser diferente fez Sam conhecer de perto o peso da palavra preconceito.

“O caminho não foi fácil, principalmente na infância. Foi mentalmente difícil. Eu sempre percebi que as pessoas me olhavam diferente. Eu via e ouvia julgamentos sobre a minha aparência, até de pessoas próximas.”

Para desfilar como ele é na SPFW, Sam Porto respirou fundo: “Eu criei forças para enfrentar a sociedade sem abaixar a cabeça.”

E valeu a pena.

“Todo carinho que tô ganhando, de pessoas que nunca vi na vida, é absurdo de especial. Chega a me fazer esquecer as críticas e as pessoas más e de almas infelizes que conheci até hoje”, concluiu.

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